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Receita para 2006
15/06/2011 00:00

No início de cada ano formulamos listas de ações, de metas para transformar nosso cotidiano. Com razão. A renovação no calendário nos instiga a pensar em sugestões, propostas e comportamentos que conduzam ao bem-estar interior. Não devemos perder de vista, contudo, que a felicidade resulta de atitudes simples que fazem a diferença não só em nós como também no meio em que vivemos. Participar da coletividade, ajudar outras pessoas ou contribuir para a melhoria do bairro -e, conseqüentemente, da cidade e do país- é também um meio de crescer e realizar-se.

A base de uma receita de sucesso é escolher o caminho que favorece a nós e ao comunitário, em vez de seguir o rumo do egoísmo, cujo foco é individual. Felizmente, percebemos que existe um grande número de cidadãos escolhendo a partilha, vivenciando a grandiosidade do bom convívio. A esse componente deve ser conjugado o respeito à vida, à natureza e ao mundo. Essa é a base de tudo, quase um mandamento.

Assim nos situamos no universo, percebendo que vivemos numa coletividade que depende dos atos de cada um dos seus membros, ou seja, de cada um de nós. É como um grande motor em que a menor engrenagem precisa funcionar adequadamente para o bom desempenho do todo.

Entre tantas áreas passíveis de nosso cuidado, uma delas merece dedicação especial, pois traz benefícios duradouros -que vão muito além do Ano Novo- para a sociedade como um todo: a educação.

Boas novas chegam das escolas: crianças e jovens constroem valores como solidariedade e cidadania e experimentam ações que orientarão os seus passos na vida adulta. Para tanto, vêm sendo realizados programas e projetos que expandem o olhar para além dos bancos das salas de aula e acolhem familiares, amigos, toda a comunidade, tendo como foco o bem comum.

Um exemplo é o Programa Escola da Família, da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, criado em agosto de 2003, em parceria com a Unesco, o Instituto Ayrton Senna, Instituto Faça Parte, 300 instituições particulares de ensino superior e 300 prefeituras.

Esse programa tem mostrado o potencial da escola pública como centro de construção e prática da cidadania. Muito mais que a ampla participação de alunos, professores, familiares e voluntários nas atividades de esporte, cultura, saúde e qualificação para o trabalho, percebemos uma significativa redução nos índices de violência (39,5% dentro das escolas e 36% nas áreas vizinhas) e no porte de drogas (mais de 80%).

O voluntariado na educação, aliás, é uma idéia que remete a um ano feliz. Milhões de pessoas já passaram pelas escolas abertas nos fins de semana para ajudar, ensinar, ouvir, trocar conhecimento. Pessoas que, em sua receita de felicidade, incluíram esse ingrediente para somar e compartilhar, reforçando o papel da escola como centro de cidadania e tornando-a um local em que se exercita a convivência democrática.

Trata-se, assim, de um caminho de mão dupla. Ao mesmo tempo em que traz elementos e experiências externas para melhorar a educação na escola, a difusão do voluntariado é um modo de valorizar sua atuação na sociedade.

Não só a juventude é capaz de promover transformações com idéias renovadoras e energia como também as experiências pessoais e sociais vividas nessa etapa da vida são fundamentais para a definição -ou a indefinição- de um projeto de vida, de opções políticas e ideológicas, de rumos profissionais e acadêmicos.

O cenário é promissor, mas não devemos nos acomodar. Há muito trabalho pela frente. Além oferecer o currículo básico, as escolas devem ser organizadas também para receber estudantes em tempo integral. Podem ser realizadas oficinas envolvendo saúde, empreendedorismo, filosofia, orientação de estudos, atividades de linguagem e matemática, práticas esportivas, artísticas e de participação social.

Ampliar a participação e a vivência no universo escolar, em todo o Brasil, sobretudo nas regiões com baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano), é um sonho em que devemos insistir.

É possível, assim, escolher o rumo certo para que cada novo ano seja um passo a mais na construção de um mundo melhor. Educação transforma, e iniciativas como essas e tantas outras espalhadas pelo país nos permitem desejar que o ano de 2006 seja novo e bom, com ações que resultem em mudanças positivas!

Milú Villela, 59, empresária, é embaixadora da Boa Vontade da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) e presidente do Faça Parte - Instituto Brasil Voluntário, do MAM (Museu de Arte Moderna) e do Instituto Itaú Cultural.

Folha de São Paulo, seção Tendências e Debates, 19 de janeiro de 2006.


 
   

 
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